Quando se fala em fisioterapia pélvica, a imagem que vem à mente é de mulheres no pós-parto ou com incontinência. Raramente alguém pensa em atletas. Mas a realidade clínica conta uma história diferente.
A prevalência que ninguém comenta
Estudos mostram que entre 28% e 80% das atletas de alto rendimento apresentam alguma forma de disfunção pélvica, dependendo da modalidade. O número varia, mas a tendência é clara: quanto maior o impacto e a pressão intra-abdominal, maior o risco.
Mas por que isso não é discutido? Porque atletas raramente admitem. A cultura esportiva ainda carrega o estigma de que sintomas pélvicos são "frescura" ou sinal de fraqueza — quando na verdade são lesões funcionais como qualquer outra.
Por que atletas são vulneráveis?
Alto impacto repetitivo
Corrida, saltos e movimentos de impacto geram picos de pressão intra-abdominal repetidos. Com o tempo, o assoalho pélvico precisa suportar cargas que podem exceder sua capacidade de resposta.
Pressão abdominal aumentada
Exercícios como agachamento pesado, terra, press e movimentos de crossfit aumentam a pressão intra-abdominal. Se o assoalho pélvico não tem capacidade de resistir e absorver essa pressão, surgem as disfunções.
Desequilíbrio muscular
Muitas atletas desenvolvem glúteos, abdômen e membros inferiores — mas negligenciam a musculatura pélvica profunda, criando um desequilíbrio que compromete a estabilidade do sistema.
Dado clínico: perda urinária durante o exercício é tão comum entre corredoras e praticantes de crossfit que muitas passaram a normalizar — usando absorventes durante os treinos. Isso não deve ser aceito como normal.
As manifestações mais comuns em atletas
- Incontinência urinária de esforço — perda de urina em saltos, sprints, agachamentos
- Dor pélvica — durante ou após o treino
- Queda de performance inexplicada — instabilidade lombo-pélvica não diagnosticada
- Dor lombar recorrente — por disfunção do sistema de estabilização
O tratamento: fortalecimento específico e controle de pressão
O protocolo para atletas difere do protocolo clínico padrão. Avaliamos:
- A capacidade funcional do assoalho pélvico sob carga (não apenas em repouso)
- A sinergia entre respiração, core e assoalho pélvico durante movimentos específicos do esporte
- O manejo de pressão intra-abdominal nas modalidades praticadas
O objetivo não é apenas eliminar os sintomas — é otimizar a performance restabelecendo a base de estabilidade que o alto rendimento exige. Performance começa pelo controle do corpo.
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